Segundo Aurélio( 2005), Exú é "Entidade (6) iorubana alternativamente considerada, no Brasil, como orixá e como mensageiro dos orixás, ou entre estes e os homens, assimilada ao diabo cristão por missionários ainda em África, e descrita como de gênio irascível, vaidoso, fálico e suscetível, embora possa trabalhar para o bem."

A ilusão nos causa impressões de que algo visto de perto pareçam simétricas, e quando vistas à distancia terão um novo foco, assim vice e versa. Partindo deste princípio tudo depende do modo como se "olha", assim a justiça, ou a injustiça, o bem e o mau, assim como é importante as pessoas terem em conta que muitas vezes aquilo que lhes faz bem hoje, com o tempo pode não ser, da mesma forma que aquilo que hoje é ruim, amanhã poderá ser muito bom.

Para a cultura Yorùbá, Èsù é o justiceiro Divino, aquele que olha tudo, que leva a Olódùnmarè os anseios do homem e o trás de volta em forma de benefício, Àse ou não. Tudo o que existe tem sua polaridade, e Èsù será aquele que nos dará a pista de qual o caminho tomar, ele traduz a linguagem densa de nossa crosta terrestre para chegar no divino, gerando caminhos (Odú), portanto ele é a primeira semente geradora Quando você conversa com a natureza e isto lhe trás benefício é Èsù que traduziu o seu código mental para a energia pura, trazendo de volta em forma de prazer interior. Se o Ikin-Ifá é a mente, para cada iniciado será então plantado um Èsù, pois ele é quem vai transformar os desejos interiores no seu mundo palpável, a mente é a razão, e Èsù o gerador, aquele que faz conceber, nascer, criar e tornar possível os frutos desta razão. Ele será plantado em uma pedra na qual os sacerdotes invocarão um espírito, e daí por diante você deverá criar uma afinidade de tal forma que tudo o que faça possa com ele dialogar, em todos os momentos, todos os dias e horas, se não fisicamente, mentalmente, criar uma simbiose. Forças são energias vivas que não podem ficar paradas, se você não tem este contato, com o tempo se vão, e aí você perderá novamente este elo de ligação, e só lhe restará uma pedra. Por conclusão, quando o iniciado recebe estes elementos sagrados o seu equilíbrio espiritual será completo, representando a unidade entre aquilo que se pensa e aquilo que se faz. Aquele que vive somente dentro da razão concentra na parte central do seu corpo esta energia, e viverá sempre tenso, dores de cabeça, mau humorado, é um ser nervoso. Quando ao contrário a pessoa se agita muito mais do que faz, serão aqueles que não sabem nem o que fazem, nem para onde ir, e vivem se debatendo de um lado para o outro sem sentido ou objetivos. "O equilíbrio está em pensar, e fazer. O Orí cria objetivos, os pés correrão o mundo, e as mãos farão o que precisa".

Fonte: Caminho dos Orixás

 

Peço permissão a Exú para tentar expressar em poucas palavras o que ele representa para nossa religião.

Desmistificando Esú

Por que Esú é tratado como demônio por outras religiões ?

- O desconhecimento de Esú e a similaridade com o gênero humano foi identificado por missionários e colonizadores dos países africanos como "parecido com o demônio". Estes missionários que buscavam catequizar o povo africano para a conversão católica, identificavam Esú como "força do mal". Ao longo dos anos, com a transformação dos cultos originais africanos pelo mundo afora, alguns comerciantes "pegaram uma carona" na demonização de Esú e criaram várias imagens caracterizando-o com diabo. Em algumas casas, diante da falta de esclarecimento, se cultua a imagem do diabo, infelizmente.

Exú representa a realidade do ego humano e é a verdadeira expressão do princípio e da transformação. Infelizmente foi "taxado" como diabo pelos colonizadores que percorreram a costa africana e pouco conheciam sobre os cultos, costumes e religiosidade do povo Yoruba. Exú foi assim "demonizado" pelo seu caráter muito parecido com o ser humano com suas contradições. Exú junta e separa, une e desune, ama e odeia, traz a paz e faz a guerra, não é completamente bom e nem completamente mau. Exú é a divindade mais importante da cultura Yoruba e é o responsável por levar nossos pedidos aos Sagrados Orixás, ele é o verdadeiro e único mensageiro.

O princípio da reciprocidade de Exú

Exú conhece muito bem este princípio, portanto lembre-se disso ao pedir algo para Exú. Àqueles que não esquecem de Exú, serão sempre antedidos e protegidos por ele, já àqueles que se esquecem de agradá-lo, serão igualmente esquecidos. Exú não possui amigos nem inimigos e sempre reconhece as pessoas que retribuem os seus favores.

O guardião

Exú é o dono do mercado. Todos os comerciantes, vendedores , negociantes não devem esquecer de agradar sempre a Exú. Com o reconhecimento de sua proteção, Exú torna-se o guardião implacável de todos que o assim reconhecem.

 

Os Chefes de Falange

Na Umbanda existem os trabalhos específicos com os Chefes de Falange. Não devemos confundir Exú Orixá Maior com os Chefes de Falange. Os Exús que trabalham nos terreiros são guias espirituais que trabalham na vibração do Orixá Exú, eis alguns dos guias que trabalham nos terreiros;

Sr Tranca Rua das Almas, Sr Caveira, Sr Veludo, Sr Sete Encruzilhadas, Sr Marabô, Sr Sete Catacumbas, Sr Sete Tronqueiras, Sr Sete Cruzes, Sr Capa Preta, Sr Arranca Toco, Sr Gira Mundo e muitos outros que seria impossível escrever aqui todos os nomes e funções de cada um deles.

Os Senhores de Falange foram esteriotipados como figuras demoniacas e muitos médiuns assim o acham até hoje. Estes médiuns tem pouco esclarecimento sobre que é Exú.

O misticismo de outras crenças

Basta ligar a televisão ou o rádio que podemos ver e ouvir alguns espetáculos dignos de circo. Alguns pseudo-sacerdotes fazem trabalhos de "exorcismo" dando o nome de Exú aos que são na verdade espíritos de baixíssimo nível espiritual, obsessores que aproveitam a fraqueza daqueles que sofrem sua influência. Além dos obsessores, é  muito comum identificarmos pessoas com problemas de ordem psíquica que recebem uma carga de energia negativa e são tratados como Exú.  Pobres coitados,  não sabem o que estão fazendo e nem tão pouco falando. Exú não se manifesta nestes cultos e nunca se manifestou. O que ocorre é um animismo por parte dos frequentadores destes cultos que "acreditam" estar com o diabo no corpo. Sendo assim, fica muito mais fácil para as pessoas que estão fazendo o presuposto "exorcísmo" dar nome aos bois. Como eles não conhecem as energias manifestadas, eles simplesmente chamam "aquilo" de Exú.

Infelizmente, com o crescimento do "mercado da fé", observamos a falta de esclarecimento por parte de muitos fiéis de outras religiões visto que nestes cultos é muito mais fácil atacar aquilo que não se conhece do que buscar a essência do ser humano e promover seu crescimento espiritual. O materialismo religioso provoca a ira de seus fiéis não só contra os Umbandistas, o Povo do Candomblé, mas também contra os espíritas.

 

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